O que antes não passava de um texto, hoje causa dor em meu peito.

23 23UTC Agosto 23UTC 2011 at 21:13 Publicar um comentário

Nada.

nada

Tristeza. Felicidade. Ansiedade. Dúvida. Ausência. Nada. Vazio.

Vazia está minha mente agora, mesmo cheia de vontade de escrever.

Tem uma tristeza, e isso não  sugere ausência de felicidade.

Ausência sugere falta.

Falta sugere o vazio.

Vazio sugere o nada.

Nada sugere ausência.

E a ausência nos deixa com um vazio.

Vazio é a ausência de tudo. Ou seja, nada.

E o Aurélio já diz: é a não-existência; o vazio; depois da morte; o nada; coisa nula; sem valor; ninharia; inutilidade.

Mas o nada depende do momento.

Não fazer nada pode significar tédio,ou pode significar descanso. Mas esse nada vai e vem. É um nada-provisório.

E se a sua única vontade é fazer nada, esse é um nada tranquilo, um nada de ficar morgado, sossegado. É um nada-lazer.

Se uma relação vai bem, a resposta “nada” é um simples nada. Pois fazer nada ao lado da pessoa amada é bom. é um nada-aconchegante.

Se a relação vai mal, a resposta “nada”, gera desconforto, dúvidas e inseguranças. É um nada-torturante. Tortura que deixa o outro se sentindo um nada.

Tem o nada que você significa para alguém; tem o nada interior que você está sentindo por absolutamente nada, ou talvez por tudo; tem o nada de dúvida; e muitos outros nadas.

Agora, nesse momento, guardo todos esses nadas dentro de mim.

E mesmo assim tudo continua vazio.

Pois o nada sugere ausência, ausência sugere falta, falta sugere o vazio. E o vazio é quando tudo está cheio de… nada.

10 10UTC Outubro 10UTC 2009 at 23:44 2 comentários

Sentidos

sentidos

Falo com as mãos,

grito com os olhos,

sussurro com os erros.

Estrelas nos pensamentos,

os sons estão mudos,

as palavras soltas

espalhadas num vendaval,

unem-se umas às outras

rumando ao nada.

Um descompasso meu,

cheguei a um refugio inadequado.

Tento voltar a andar em direção a minha rotina,

para que tudo se acalme por um instante,

aparentando que nada aconteceu.

Finjo que o tempo passa

e caminho com passos lento.

até onde o vento me levar.

Porque eu queria que essa rotina deixasse de ser, algum dia.

Luciana Gabínio

(15.09.08 )

18 18UTC Setembro 18UTC 2009 at 17:32 2 comentários

Desvendando-te

Me explica, poeta, esse teu mistério?
Não, vou desvendar-te.
Teus olhares quando esbarram nos meus,
Iluminam quando está escuro além de mim, invisível para todos.
Nos teus braços, eu.
Me acolhem, me envolvem num laço sem sentido.
Os teus versos,
que sigo com meus passos lentos.
Não canso de olhar esse teu jeito,
cada gesto, o teu cheiro.
Não canso de te ter por perto.
Uma união de sentimentos,
Que vão além das palavras, dos meus rabiscos.
Uma emoção abafada, mas não ausente…
Incontrolável, minha.
Que expresso através dessas frases soltas,
sem razão, sem destino.

 

 

 

Luciana Gabínio

12 12UTC Agosto 12UTC 2009 at 17:15 1 comentário

Um salto.

Tomo impulso
E Tropeço.
Toco o chão com os pés.
Penso,
E logo recuo.
Olho.
Fico na ponta dos pés.
Vejo
mais do que tudo aquilo que os meus olhos podem mostrar.
Enfeito
de flores, o meu mundo.
Respiro,
Suspiro para o salto.
Salto.
Enfim encontro o ar,
Brisa, vento, ventania,
pipas, fios, nuvens e um arco-íris.

 

 

Luciana Gabínio

3 03UTC Junho 03UTC 2009 at 2:48 2 comentários

Rebobinar

Voltar no tempo.
E se ela pudesse rebobinar a sua vida?
Voltar a ser criança.
brincar de colorir o papel em branco, de boneca e carrinho.
Ou ser adolescente,
achar que já é gente grande,
mas no mesmo momento ouvir alguém dizendo que é criança.
Em outras vezes se sentir criança,
e alguém lhe dizer que já está crescida.
Mas rir até doer a barriga, chorar até dormir, deixar o pra agora de lado.
Roubar frutas, fugir de casa pra sempre por uma semana, fazer planos.
Não, não, não.
O bom é o agora.
é ir sempre em frente, sem pausa.
Seguir por caminhos que ainda não andou.
Correr pro infinito, sem hora pra parar.
Ser criança, adolescente ou gente grande quando bem entender.
Ela quer o mundo como quando se descobre.menina
Brincar de adivinhar
O que é, o que é?, o gosto, o cheiro, cada cor.
tim-tim-por-tim-tim
Vertocarouvircheirar.
Pensativa.
Apressada.
Animada.
Perdida.
Encantada.
Agoniada.
Embalada no novo.
Sempre em frente. Sem volta. Sem pausa.

Luciana Gabínio

20 20UTC Maio 20UTC 2009 at 12:56 6 comentários

Dias-sim

Hoje ela acordou com um meio sorriso,
algo a pertubava, um incômodo talvez invisível.
Uma incomodação que não sabia ao certo descrever.
Ela não gosta desse estado de insegurança, incerteza, de meio sorriso, do sabor amargo.
Ela anda distraida,
quase perdida nesses acontecimentos todos.
Ela caminha, por dentro revê lugares e respira eles. baloon
Olhos fechados.
Procura um refúgio.
Movimenta-se em segredo.
Em sua busca particular
tenta achar o caminho.
É, assim está ela;
sem parar de se envolver com o que lhe rodeia.
Mas vai mais além. Por dentro. Pra dentro.
Lhe enchendo de expectativas.
Porque ela acredita em não-acasos.
Porque ela acredita em dias-sim.
E ainda com os olhos fechados estende a mão ao invisível,
porque a solução sempre lhe mostra a cara e ela o sorriso inteiro.

 

Luciana Gabínio

15 15UTC Maio 15UTC 2009 at 3:23 8 comentários

A equilibrista

Ela é vento, ventania,
voa em busca de cor pro meu dia seguinte
e me entrega todo o arco-íris.
Ela é o caminho que sigo.
E por cada passo, cada tropeço,
por cada curva e desvio
eu a agradeço.
E continuo a lhe seguir,
o sorriso dela é o meu norte.
Ela é chuva, chuvisco,
é como um mar dentro de mim,
que leva o que não foi bom.
Ela é verdade, tem o riso largo de sempre, sabe andar em corda bamba,
chega do lado de lá sem qualquer hematoma.
Ela dá ao mundo o que tem de melhor.
E planta em meus dias sementes brancas
para eu ter um jardim de trevo,
de quatro folhas.
Ela é lição de vida, é aprendizado.
E num canto em mim,
Ela planta a sabedoria, coragem e fé todos os dias pra dança da vida.
Mas enquanto ainda está tudo verde e ainda não amadurece,
Ela me deixa sempre uma cor-resposta
Pra pintar nos meus dias.
Ela é amiga, é brincadeira gostosa, é paz, é felicidade…
Ela é mãe, é a minha mãe.

 

Luc iana Gabínio

11 11UTC Maio 11UTC 2009 at 13:22 3 comentários

Um travesseiro para chamar de meu.

Nunca encontrei o travesseiro ideal.
E isso não é metáfora para dizer que não encontrei o amor.
Porque esse eu encontrei.
E ele é o dono de um sorriso contagiante,
dono das minhas melhores gargalhadas,
de um olhar discreto e encantador.
É dele a melhor cara de sono,
a melhor mão no cabelo.
É para ele essas minhas simples palavras.
É dele todo esse sentimento certo e intenso. Só dele.
É culpa dele o coração disparado,
das lembranças das manhãs frescas, das manhas, dos sorrisos…
e a ansiedade de que tudo logo volte a acontecer.
É tudo dele.
Inclusive esta
que vos escreve
e que agora nem procura mais o travesseiro perfeito,
Porque é dele o melhor colo para dormir,
ou para ficar bem acordada.
Aliás, é meu. Só meu.

Luciana Gabínio

5 05UTC Maio 05UTC 2009 at 14:18 2 comentários

Pela metade.

Ela sorri por desobediência.
Desobedece a tristeza.
O sorriso continua pela metade,
Ela está pela metade.
Olha tudo em volta,
pouca luz.
Na sua casa agora não tem luz,
sempre teve, ela é que não sabia.
Ela já perdeu o medo de escuro.
Perdeu as chaves,
perdeu a hora,
perdeu a cabeça.
E continua perdendo o sorriso.
Mente risadas.
Disfarça, muda de assunto.
Se quebra e se conserta.
Sem ver, tenta acreditar no que é dito.
E então, sem receios, tira os sapatos,
abre o sorriso e grita:
- Vou por ai e não sei quando volto.
Caminhante, não para, sempre avante.
Se fica, não se alcança.

 

Luciana Gabínio

29 29UTC Abril 29UTC 2009 at 15:38 1 comentário

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