Archive for Maio, 2009
Rebobinar
Voltar no tempo.
E se ela pudesse rebobinar a sua vida?
Voltar a ser criança.
brincar de colorir o papel em branco, de boneca e carrinho.
Ou ser adolescente,
achar que já é gente grande,
mas no mesmo momento ouvir alguém dizendo que é criança.
Em outras vezes se sentir criança,
e alguém lhe dizer que já está crescida.
Mas rir até doer a barriga, chorar até dormir, deixar o pra agora de lado.
Roubar frutas, fugir de casa pra sempre por uma semana, fazer planos.
Não, não, não.
O bom é o agora.
é ir sempre em frente, sem pausa.
Seguir por caminhos que ainda não andou.
Correr pro infinito, sem hora pra parar.
Ser criança, adolescente ou gente grande quando bem entender.
Ela quer o mundo como quando se descobre.
Brincar de adivinhar
O que é, o que é?, o gosto, o cheiro, cada cor.
tim-tim-por-tim-tim
Vertocarouvircheirar.
Pensativa.
Apressada.
Animada.
Perdida.
Encantada.
Agoniada.
Embalada no novo.
Sempre em frente. Sem volta. Sem pausa.
Luciana Gabínio
Dias-sim
Hoje ela acordou com um meio sorriso,
algo a pertubava, um incômodo talvez invisível.
Uma incomodação que não sabia ao certo descrever.
Ela não gosta desse estado de insegurança, incerteza, de meio sorriso, do sabor amargo.
Ela anda distraida,
quase perdida nesses acontecimentos todos.
Ela caminha, por dentro revê lugares e respira eles. 
Olhos fechados.
Procura um refúgio.
Movimenta-se em segredo.
Em sua busca particular
tenta achar o caminho.
É, assim está ela;
sem parar de se envolver com o que lhe rodeia.
Mas vai mais além. Por dentro. Pra dentro.
Lhe enchendo de expectativas.
Porque ela acredita em não-acasos.
Porque ela acredita em dias-sim.
E ainda com os olhos fechados estende a mão ao invisível,
porque a solução sempre lhe mostra a cara e ela o sorriso inteiro.
Luciana Gabínio
A equilibrista
Ela é vento, ventania,
voa em busca de cor pro meu dia seguinte
e me entrega todo o arco-íris.
Ela é o caminho que sigo.
E por cada passo, cada tropeço,
por cada curva e desvio
eu a agradeço.
E continuo a lhe seguir,
o sorriso dela é o meu norte.
Ela é chuva, chuvisco,
é como um mar dentro de mim,
que leva o que não foi bom.
Ela é verdade, tem o riso largo de sempre, sabe andar em corda bamba,
chega do lado de lá sem qualquer hematoma.
Ela dá ao mundo o que tem de melhor.
E planta em meus dias sementes brancas
para eu ter um jardim de trevo,
de quatro folhas.
Ela é lição de vida, é aprendizado.
E num canto em mim,
Ela planta a sabedoria, coragem e fé todos os dias pra dança da vida.
Mas enquanto ainda está tudo verde e ainda não amadurece,
Ela me deixa sempre uma cor-resposta
Pra pintar nos meus dias.
Ela é amiga, é brincadeira gostosa, é paz, é felicidade…
Ela é mãe, é a minha mãe.
Luc iana Gabínio
Um travesseiro para chamar de meu.
Nunca encontrei o travesseiro ideal.
E isso não é metáfora para dizer que não encontrei o amor.
Porque esse eu encontrei.
E ele é o dono de um sorriso contagiante,
dono das minhas melhores gargalhadas,
de um olhar discreto e encantador.
É dele a melhor cara de sono,
a melhor mão no cabelo.
É para ele essas minhas simples palavras.
É dele todo esse sentimento certo e intenso. Só dele.
É culpa dele o coração disparado,
das lembranças das manhãs frescas, das manhas, dos sorrisos…
e a ansiedade de que tudo logo volte a acontecer.
É tudo dele.
Inclusive esta
que vos escreve
e que agora nem procura mais o travesseiro perfeito,
Porque é dele o melhor colo para dormir,
ou para ficar bem acordada.
Aliás, é meu. Só meu.
Luciana Gabínio